Genética textual e método: o processo de gênese na produção de manuscritos escolares a partir de versões em criação

Dennys Dikson

Resumo


Este artigo reflete questões [teórico-]metodológicas sobre a relação intrínseca que há entre a produção escrita escolar de díades de alunos recém-alfabetizados e a Genética Textual (GT). Um dos vieses metodológicos imbuídos na GT permite essa possibilidade de discussão, qual seja: métodos de análises de Manuscritos Escolares (ME) a partir de suas diversas versões (escrita, coenunciativa e filmada) – quando estes nascem, surgem e se fazem escritura desde o planejamento até o texto final, forjados em tarefas escolares no Ensino Fundamental de uma escola pública da cidade de Maceió-AL, através de um Projeto Didático com histórias em quadrinhos. Inseridos neste campo de estudo (a GT), assumimos cada um desses movimentos de criação (escrito e oral) como sendo uma versão do processo da gênese escritural. Imbricados nas noções sobre processos de escritura em ato e ME propostas por Calil (2008, 2009), procuraremos demonstrar que tanto a discussão sem escrita, quanto a escrita em curso, bem como a escritura em processo durante a coenunciação [dos alunos] acerca do que vai para o papel e suas transcrições, são, todas, faces de uma mesma moeda – versões do nascimento ou da gênese do ME enquanto produção de texto solicitada pelo professor(a) e construída, em duplas, pelas crianças.

Palavras-chave


método em processo; criação em ato; versões genéticas; sala de aula; histórias em quadrinhos

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