A origem das consoantes pré-nasalizadas do crioulo de Santiago (Cabo Verde)

Jürgen Lang

Resumo


No português, língua de base do crioulo de Santiago, não há nem houve nunca palavras que começassem por uma consoante pré-nasalizada. No wolof, entre as línguas ancestrais dos africanos que em Santiago crioulizaram o português a que mais vestígios deixou no crioulo da ilha, há atualmente apenas quatro consoantes pré-nasalizadas que podem iniciar palavras. Esta contribuição tenta explicar como, em vista de tal situação de partida, pôde surgir, neste crioulo, virtualmente um parceiro pré-nasalizado com capacidade de iniciar uma palavra, para cada consoante oral. Dado que não conhecemos, nem o wolof nem as outras línguas da costa ocidental de África dos séculos XV e XVI, é impossível reconstruir esta história ponto por ponto. Por isso, esta contribuição oferece apenas uma explicação geral que combina uma suposição histórica com uma hipótese teórica. Segundo a suposição histórica, a situação quanto a padrões acentuais e silábicos no wolof e a consoantes pré-nasalizadas na costa ocidental de África teria sido similar, na época da crioulização, à que se observa hoje em dia. Segundo a hipótese teórica, o surto de grande número de consoantes pré-nasalizadas com possibilidade de iniciarem palavras no santiaguense explicarse-ia pelo recurso dos crioulizadores, nas suas tentativas de segmentar a fala dos seus donos, aos padrões acentuais e silábicos das suas línguas ancestrais. Teriam corrigido rapidamente os ‘erros’ de segmentação a que isto levou, mas só na medida do estritamente necessário para garantir a mútua compreensão.

Palavras-chave


Aprendizagem, segmentação, consoantes pré-nasalizadas.

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PAPIA

Revista Brasileira de Estudos do Contato Linguístico

e-ISSN: 2316-2767

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