As glides do guineense: proposta de interpretação fonológica

Sandra Marisa Costa Chapouto

Resumo


A existência de [j] e de [w] na estrutura fonética do guineense é consensual; no entanto, o estatuto fonológico destes segmentos não é claro, havendo apenas algumas propostas de interpretação fonológica destas unidades (Andrade, E., Gomes, A., e Teixeira, I. 1992; 2001). Assim, pretende-se, com este estudo, apresentar uma descrição do comportamento das glides do guineense e contribuir para o esclarecimento do estatuto fonológico destes segmentos. Tendo em consideração os estudos linguísticos já referidos e com base na análise dos dados da estrutura fonética, formular-se-ão hipóteses no sentido de averiguar se as realizações da estrutura de superfície correspondem a unidades fonológicas ou se podem ser obtidas por meio de processos fonológicos e apresentar-se-á uma proposta de interpretação fonológica destas unidades. A descrição proposta neste trabalho é apresentada de acordo com o modelo da Teoria Autossegmental: a descrição dos segmentos e dos processos fonológicos é representada segundo o modelo da Geometria de Traços (Ewen e van der Hulst 2001; Mateus e Andrade 2000). A análise dos dados levou à interpretação das glides fonéticas (i) como segmentos consonânticos quando ocorrem em início de palavra e em posição intervocálica, (ii) como realizações fonéticas de um segmento vocálico subjacente nos contextos em que se encontram em posição pré-vocálica antecedida de segmento(s) consonântico(s) e (iii) como glides sempre que ocorrem em posição pós-vocálica.


Palavras-chave


Glides, processos fonológicos, guineense.

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Referências


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