História social-linguística da Capitania de Ilhéus: o século XVI

Wagner Argolo

Resumo


Resumo: Neste artigo, apresentamos uma retrospectiva histórica da Capitania de Ilhéus, desde sua fundação, em 1534, até 1593, quando termina a escrita do Processo de Thomás Ferreira, manuscrito que encontramos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, Portugal, e que utilizamos como base histórica documental para penetrar nos meandros da dinâmica social-linguística da região nesse recuado período da história brasileira. Com base em suas informações, pudemos confirmar com alguma segurança, ao menos no que se refere à Capitania de Ilhéus, hipóteses já levantadas alhures (e.g. Rodrigues 2006; Cancela 2012) sobre ter sido o tupinambá a língua supra-étnica do início da colonização do Brasil, assim como lançar hipóteses novas sobre quais seriam as Configurações Linguísticas da referida capitania no século XVI (a saber, de monolinguismo e de bilinguismo) e quais seriam os Ambientes de Comunicação em cujo interior essas Configurações Linguísticas se manifestaram (a saber, os ambientes [i] Fora dos engenhos, [ii] Dentro dos engenhos e [iii] De trocas comerciais com a capital colonial e com a metrópole).


Palavras-chave


Linguística histórica; bilinguismo; contato linguístico; ambientes de comunicação; língua supra-étnica; história social-linguística.

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